quarta-feira, 12 de agosto de 2015


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

(Fernando Pessoa)

Colhe a alegria das flores da primavera 
e brinca feliz enquanto é tempo. 
Sempre haverá os dias em que chegará o inverno 
e não terás o perfume das flores, 
nem o sol, 
nem a vivacidade das cores.

(Augusto Branco)

Há uma primavera em cada vida: 
é preciso cantá-la assim florida, 
pois se Deus nos deu voz, 
foi para cantar! 
E se um dia hei-de ser pó, cinza 
e nada que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder...
para me encontrar.

(Florbela Espanca)
Quero apenas cinco coisas...

Primeiro é o amor sem fim;
A segunda é ver o outono;
A terceira é o grave inverno;
Em quarto lugar o verão;
A quinta coisa são teus olhos!
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser ... sem que me olhes.
Abro mão da primavera,
para que continues me olhando.

(Pablo Neruda)

Agora, vou falar de flores...
...e poesia.

CONFISSÃO
(Mario Quintana)

Que esta minha paz e este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto!