sábado, 11 de outubro de 2014

COMO MORREM OS AMORES



Os amores morrem de inanição, 
se não há alimento.
Os amores morrem de decepção, 
se não há sobriedade.
Os amores morrem de ciúme, 
se lhes falta alento.
Os amores morrem de quietude,
se não há cumplicidade. 
Os amores morrem de tédio,
se lhes falta motivação.
Os amores morrem de egoísmo,
quando se ama em solidão.
Os amores morrem cedo,
quando falta compreensão.
Os amores morrem queimados,
no calor de uma discussão. 
Os amores morrem sufocados pela mágoa acumulada.
Os amores morrem afogados no mar das mentiras criadas.
Os amores morrem doentes,
quando somos intransigentes.
Os amores morrem dormindo,
se a paixão vai se diluindo. 
Os amores morrem...
porque nós os matamos!
Os amores morrem,
se os sentimentos ocultamos.
Os amores morrem,
porque não os vivemos.
Os amores morrem e, 
morrendo o amor,
nós é que morremos. 

É, MORREM ASSASSINADOS PELO DESAMOR...


AMOR E SEU TEMPO



Amor é privilégio de maduros
estendidos na mais estreita cama,
que se torna a mais larga e mais relvosa,
roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor:
o ganho não previsto,
o prêmio subterrâneo e coruscante,
leitura de relâmpago cifrado,
que, decifrado,
nada mais existe
valendo a pena e o preço do terrestre,
salvo o minuto de ouro no relógio minúsculo,
vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência herdada, ouvida.
Amor começa tarde.

(Carlos Drummond de Andrade)





Maravilhoso manuscrito...maravilhoso Drummond!





 


Nada melhor que reunir amigos e sorver cada gota de poesia que brota da alma.





"Se me perguntarem como estou, eis a resposta:
Estou indo, sem muita bagagem.
Pesos desnecessários 
causam sempre dores desnecessárias.


Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo…
preenche-la com coisas novas.
Sensações novas, situações novas, pessoas novas.
Tudo novo!"

(Caio Fernando Abreu)






Um café e um amor...
Quentes, por favor!

(Caio Fernando Abreu)






E os detalhes fazem a diferença.